terça-feira, 29 de maio de 2012

A falta de ética da imprensa no caso da menina atingida pelo Jet Sky

                                            Por:Roberta Peleteiro

    
      Está escrito no Estatuto da Criança e do Adolescente que nenhum indivíduo em idade menor que 18 anos pode ser exposto na mídia (vítima ou acusado), o menor deve ter sua imagem preservada, porém parte da imprensa parece ter esquecido o estatuto numa gaveta embaixo de uma pilha de papéis.
      Geralmente o que vemos na imprensa, seja ela escrita ou falada é que não há limite para expôr a criança ou adolescente, um do últimos caso amplamente divulgado foi o da criança G.A.L,3 anos. Que morreu ao ser atingida por um jet sky em uma praia do litoral paulista, ao invés de preservar a imagem e nome da criança todos os jornais exibiram.
     Para Catalá Josep (apud BUITONI Dulcilia 2011, p.13) existe quatro funções primárias para as imagens são elas: informativa, reflexiva, comunicativa e ou emocional. Se a ideia da imprensa era reunir as quatro características para prender a audiência no sofá de casa, a fórmula deu certo. A matéria tornou-se uma suíte com pauta certa, em todos os canais de comunicação, nenhum veículo se deu o trabalho de colocar se quer uma tarja para não permitir identificar a menor.
     Sabe-se que não podemos faltar com a verdade, mas é obrigação de qualquer cidadão seguir as leis (especialmente o jornalista que lida com a vida alheia), é necessário encontrar um meio termo mostrando o fato real mas, sendo ético, seguindo os códigos de conduta.
      Aqueles que expuseram a criança, se quer conhecem o próprio código de ética já que no artigo 14 do mesmo, diz que o jornalista tem a responsabilidade de tratar com respeito todas as pessoas envolvidas nas matérias que divulgar. No caso da morte provocada pelo jet sky não houve o cuidado dos profissionais de divulgarem o fato protegendo a vítima, neste caso o agravante se deu pelo fato dela ter apenas 3 anos.
     Vivemos em um ciclo vicioso no qual não há fiscalização ou punição e quando esta última existe, a emissora prefere arcar com os custos da multa, à abrir mão da audiência. Precisamos parar de transferir responsabilidades para o cargo imediatamente superior ao nosso. Quem é repórter deve ir em busca de sua pauta e levar as redações aquilo que realmente é necessário para que a matéria seja exibida/escrita sem o sensacionalismo e principalmente sem usar os seres humanos como  peças de manipulação dos índices de  audiência.   


Fontes:
Fotografia e Jornalismo: A informação pela imagem, Dulcilia Schroeder Buitoni, organizado por Magaly Prado, 2011, Editora Saraiva.
Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, www.fenarj.org.br, acesso em:  09/05/ 2012.

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