Por: Aline Oliveira
Todo dia nasce uma polêmica diferente na internet. Um dia é sobre aquele artista que foi pego em flagrante num momento íntimo. Um anônimo que do nada vira celebridade, graças ao Youtube. A última e talvez mais discutida entre os principais blogs e até veículos de comunicação, ficou por conta da declaração da empresária Alice Ferraz, que em entrevista a revista "Isto é Dinheiro", se referiu de maneira infeliz sobre os critérios de inclusão de clientes na lista de compradores do e-commerce de sua rede.
Quando classifico como infeliz a declaração dada pela empresária, não me refiro só ao fato de suas peças atenderem até a modelagem #44, mas também ao fato de vestir mais que #44, ser um fator de seleção para fazer parte da lista de clientes da rede. Se os internautas não tivessem criado um movimento em torno do #46naoentra*, a loja não teria alterado sua plataforma de cadastro. Não estou crucificando a rede e nem sua dona, mas sim chamando a atenção para um fato que é cotidiano na vida de quem teoricamente não está nos padrões de numeração. Vestir #46 e até #44, é um sufoco no Brasil. As lojas não tem um padrão de numeração e você sempre acaba perdido na hora de escolher o número da peça que vai experimentar. Se a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), já tivesse criado um padrão com as medidas referente a cada numeração, lojas e marcas como a citada acima, não causariam constrangimento e opressão a tantas mulheres que querem ter sua alto estima levantada e se sentirem bonitas e na moda, mas que são obrigadas a correr pro maldito setor plus size das fast fashion ( lojas de departamento), em busca de um look que lhes sirvam.
Você deve estar se perguntando, aonde a ética entra nesse dilema de autoria e interesse maioritário do público feminino, certo? Bom, a ética entra num quesito simples e ignorado pelas "fazedoras de moda", quem é plus size, veste números grandes, certo? Mas, agora me responda: Não são pessoas iguais a todas as outras? Não comem, bebem, respiram e etc? Porque então, quem veste #36 tem mais direitos sobre estar se sentindo confortável e bonita em uma roupa, do que quem veste #46 em diante?
As respostas são simples e até tolas. Respeitar o direito das outras pessoas e principalmente suas características, é uma coisa que o ser humano, independente de formação intelectual e cultural, não consegue administrar. Pior, mesmo sendo tanto as marcas, quanto os compradores, membros de uma sociedade capitalista, que por natureza visa acima de tudo a busca pelo capital, ninguém consegue impor o valor e a importância que o dinheiro tem sobre o desenvolvimento dessas empresas.
Mas, pegando novamente o caso F*Hits ( empresa da Alice Ferraz, com os 25 blogs mais influentes do país), se o número que se veste, era até o escândalo, um dos critérios para fazer parte da lista de compradores do e-commerce, e na loja além de roupas, existe a venda de acessórios, calçados e outros itens que não dependem tanto de tamanho, porque quem veste acima de #44, não entrou? Gordo, não usa acessório? Não precisa de sapato?? Roupa eu entendo, afinal, a gente vive no engorda e emagrece, fora que a brasileira tem um bumbum bem avantajado, mas sapato, não muda de acordo com o tanto que você come. Porque, hein?? E nossas queridas blogueiras de moda, que transformaram seus blogs que eram tão pessoais e sinceros, em um comércio sínico e sem o menor senso ético e crítico? Elas, deveriam pensar nas suas milhões de leitoras, que dão além de audiência, muito dinheiro a seus blogs, quando entraram nesse projeto e dá uma assessoria a equipe da loja, para que os princípios éticos e fundamentais do que é ter um blog e ser blogueiro continuasse a ter sentido e não fosse tão desmoralizado pelos internautas.
Eu sou blogueiras, sou usuária do F*Hits e-commerce, leio alguns dos blogs da plataforma ( claro, como uma futura jornalista, tenho que me manter informada), e sinceramente, já passei por situações onde meu número não era o que eu estava acostumada a usar, em uma determinada loja e me senti péssima por isso. Mesmo não sabendo o padrão de modelagem usado pela empresa, me cadastrei afirmando usar #44 e não fui aceita de primeira. Depois da segunda tentativa, eis que finalmente aceitaram meu cadastro. Com a entrevista dada pela empresária e toda a repercussão negativa em torno disso. Não são só as mulheres que passam pela vergonha de saltar do #42 para o #46 em uma loja, só porque ela segue um padrão de modelagem diferente das outras. Ou que adoram uma determinada peça em uma loja e ela só vai até o #44, porque segundo os conceitos daquela loja, onde "#46 é plus size e eles não trabalham com essa modelagem", sim, mas e com dinheiro, vocês trabalham?? Que fique fora de estrutura, que fique fora dos padrões da loja, mas façam algo. Façam números maiores e lembrem que estão no BRASIL, onde a mulher tem bunda e tem peito, e não na EUROPA.



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