sábado, 2 de junho de 2012

A verdade, nada mais que a verdade

                                          Por:Roberta Peleteiro


     Um dia o editor chefe entregou a Janete uma nova pauta, o dead line do jornal era às 14 horas, já passava das 11 da manhã quando o furo surgiu, ao meio-dia tinha que pegar os filhos na escola e a matéria parecia ser de suma importância pois, de acordo com uma fonte um artista famoso havia cometido um crime terrível em seu condomínio.
     Como fazer para cuidar da vida pessoal e ao mesmo tempo apurar se a matéria era ou não uma barrigada? Janete acabou optando pelo caminho que julgava ser mais fácil, não conversou com todas as fontes envolvidas, falou apenas por telefone com duas ou três pessoas, fechou a matéria, entregou ao editor logo após o almoço e no dia seguinte a manchete que estava no jornal era “Cantor Túlio matou um homem no bairro 15 de Maio”.
      Mesmo sendo inocente Túlio fora condenado pela imprensa, sem poder se defender perante um juíz, depois do falso escândalo, o cantor jamais teve sua vida pessoal e profissional em ordem. Essa história não é verdadeira, mas também não é totalmente falsa, pois diariamente nos deparamos com a grande mídia julgando Túlios, Brasil a fora. Uma vez dito algo pela imprensa, muitas pessoas a tomam como verdade prejudicando pessoas inocentes.
      Alguns programas de TV, em pleno horário do almoço nos brindam (ao menos aqui em Salvador) com cenas como as protagonizada pelo artista citado. Sempre há aquele repórter “engraçadinho” julgando os suspeitos de um assalto ou qualquer outro crime. Em frente a câmera, ele é o promotor e juíz.
       Não é anormal ouvir frases do tipo “Diga que você não estava com a droga!” ou “Você matou ou não matou?” para prender mais à atenção do telespectador o apresentador: bate na mesa, berra palavras de ordem e chama o próximo “acusado” com frases do tipo. “Não saia daí, no próximo bloco vamos vê o autor daquela chacina”.
       
      É muito fácil apontar microfones e câmeras diante de uma pessoa que desconhece seus direitos, difícil é ensinar a certos membros da imprensa baiana que está na constituição. Ninguém pode ser apontado como autor, sem que esse tenha sido julgado, pois, como sabemos em todas as profissões podem haver erros e o acusado podem está, por exemplo apenas no lugar errado e na hora errada.
      A matéria é impressa em letras grandes, muitas vezes a foto está na capa do tablóide ou pode ser matéria principal de um telejornal, mas ninguém lembra que existem erratas. Leitores não “enxergam” notas de roda-pé com pedido de desculpa. Nós lidamos diariamente com seres humanos devemos pensar bem e sempre ouvir muitas versões de um mesmo fato. Jamais publicar uma notícia por pré-julgamentos é a nossa obrigação.
       Muitas vidas já foram estragadas por matérias mal-apuradas, sejamos éticos. Passar mais tempo coletando informações ou não entregar matéria por não ter certeza de determinada situação não o fará menos profissional, ao contrário lhe tornará digno e poupará que pessoas tenham suas vidas destruídas por meras suposições.

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