Por:Roberta Peleteiro
Um dia o editor chefe entregou a Janete
uma nova pauta, o dead line do jornal
era às 14 horas, já passava das 11 da manhã quando o furo surgiu, ao meio-dia
tinha que pegar os filhos na escola e a matéria parecia ser de suma importância
pois, de acordo com uma fonte um artista famoso havia cometido um crime
terrível em seu condomínio.
Como fazer para cuidar da vida pessoal e
ao mesmo tempo apurar se a matéria era ou não uma barrigada? Janete acabou optando pelo caminho que julgava ser mais
fácil, não conversou com todas as fontes envolvidas, falou apenas por telefone
com duas ou três pessoas, fechou a matéria, entregou ao editor logo após o
almoço e no dia seguinte a manchete que estava no jornal era “Cantor Túlio
matou um homem no bairro 15 de Maio”.
Mesmo sendo inocente Túlio fora
condenado pela imprensa, sem poder se defender perante um juíz, depois do falso
escândalo, o cantor jamais teve sua vida pessoal e profissional em ordem. Essa
história não é verdadeira, mas também não é totalmente falsa, pois diariamente
nos deparamos com a grande mídia julgando Túlios, Brasil a fora. Uma vez dito
algo pela imprensa, muitas pessoas a tomam como verdade prejudicando pessoas
inocentes.
Alguns programas de TV, em pleno horário
do almoço nos brindam (ao menos aqui em Salvador) com cenas como as
protagonizada pelo artista citado. Sempre há aquele repórter “engraçadinho”
julgando os suspeitos de um assalto ou qualquer outro crime. Em frente a
câmera, ele é o promotor e juíz.
Não
é anormal ouvir frases do tipo “Diga que você não estava com a droga!” ou “Você
matou ou não matou?” para prender mais à atenção do telespectador o
apresentador: bate na mesa, berra palavras de ordem e chama o próximo “acusado”
com frases do tipo. “Não saia daí, no próximo bloco vamos vê o autor daquela
chacina”.
É muito fácil apontar microfones e
câmeras diante de uma pessoa que desconhece seus direitos, difícil é ensinar a
certos membros da imprensa baiana que está na constituição. Ninguém pode ser
apontado como autor, sem que esse tenha sido julgado, pois, como sabemos em
todas as profissões podem haver erros e o acusado podem está, por exemplo
apenas no lugar errado e na hora errada.
A matéria é impressa em letras grandes,
muitas vezes a foto está na capa do tablóide ou pode ser matéria principal de
um telejornal, mas ninguém lembra que existem erratas. Leitores não “enxergam”
notas de roda-pé com pedido de desculpa. Nós lidamos diariamente com seres
humanos devemos pensar bem e sempre ouvir muitas versões de um mesmo fato. Jamais
publicar uma notícia por pré-julgamentos é a nossa obrigação.
Muitas vidas já foram estragadas por
matérias mal-apuradas, sejamos éticos. Passar mais tempo coletando informações
ou não entregar matéria por não ter certeza de determinada situação não o fará
menos profissional, ao contrário lhe tornará digno e poupará que pessoas tenham
suas vidas destruídas por meras suposições.



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